A MUSICA E A NEUROCIÊNCIA
A música e a neurociência
Introdução:
Segundo ROCHA e BOGGIO (2013) “O estudo da neurociência tem trazido muitas contribuições em diversas áreas, buscando melhor compreender o funcionamento do cérebro humano. O estudo da música tem sido valorizado em diversas áreas, das quais se destacam a percepção auditiva, a relação entre música e movimento, a relação entre música e memória, estudos com música e linguagem, além daqueles acerca das emoções evocadas por música. Além disso, muitos estudos têm apontado para o papel da música como ferramenta de intervenção em diferentes alterações neurológicas como afasia, autismo e dislexia”.
Desenvolvimento:
“Será muito difícil encontrar uma pessoa que não vivencie a música em seu dia-a-dia. A música se faz presente na vida das pessoas de diversas formas, seja ouvindo música no carro, assistindo a filmes ou propagandas de televisão, indo a concertos, shows ou mesmo estudando um instrumento musical. A música, junto à linguagem, é um dos traços exclusivos dos seres humanos. Apesar da existência do canto dos pássaros e alguns tipos de comunicação entre primatas e baleias, por exemplo, nenhuma outra espécie possui esses dois domínios organizados da maneira como são nos seres humanos” (MITHEN, 2006)
ROCHA e BOGGIO (2013), afirmam que embora não se saiba, ao certo, o papel evolutivo desempenhado pela música, não se pode negar sua importância em nossas vidas, dada sua onipresença, independente da cultura em que está inserida.
“Nas últimas décadas, o avanço das Neurociências tem possibilitado uma maior compreensão sobre a relação entre música e sistema nervoso. Técnicas como imagem por ressonância magnética (IRM) têm possibilitado, por exemplo, a verificação de diferentes volumes de estruturas cerebrais específicas como o corpo caloso, córtex motor e cerebelo quando se compara músicos de alto desempenho e não músicos” (SCHLAUG et al., 1995).
“A percepção do som envolve uma série de estruturas cerebrais, tais como córtex pré-frontal, córtex pré-motor, córtex motor, córtex somatosensorial, lobos temporais, córtex parietal, córtex occipital, cerebelo e áreas do sistema límbico, incluindo a amígdala e o tálamo” (OVERY; MOLNAR-SZACKACS, 2009).
(LEVITIN, 2009) afirma que essas estruturas cerebrais envolvidas na percepção musical envolvem desde a percepção auditiva do som, até o reconhecimento de seus parâmetros básicos (altura, duração, timbre e intensidade) e as relações entre eles. Além disso, a percepção musical envolve, também, o entendimento da forma e a compreensão de organizações hierárquicas (sintaxe musical). Tanto a percepção primária do som quanto seu entendimento sintático são modulados pela experiência emocional de se ouvir música. A integração de áreas corticais do cérebro com o sistema límbico (responsável pelas emoções) faz com que o processamento musical seja influenciado pela emoção.
ROCHA e BOGGIO (2013) dizem que “A capacidade da música de evocar emoções é uma das suas características mais bem reconhecidas pelos ouvintes. Desde a Antiguidade, discute-se a capacidade da música em evocar sentimentos. PLATÃO, em A República, discorre sobre a impressão de traços morais em indivíduos a partir da experiência musical. Para PLATÃO, determinados modos (escalas em que a música grega era baseada) tinham a capacidade de imprimir diferentes traços morais específicos nos indivíduos. O filósofo também acreditava que determinados modos deveriam ser banidos da música grega por incitar aspectos morais pouco nobres nos cidadãos gregos.
Conclusão:
“O uso de música como recurso mnemônico traz dúvidas a respeito da natureza da memória para música. Ainda não se sabe, por exemplo, se a memória para música pode ter as mesmas características que a memória para outros tipos de eventos. Além disso, não se sabe por que razão a música facilita a aquisição de memória. A existência de pacientes com demência que podem se esquecer de fatos da própria vida, mas são capazes de cantar canções da infância de cor indica que, se não é especial, a memória para música é, ao menos, diferente da memória para fatos e imagens do cotidiano”
“A música é amplamente utilizada como recurso mnemônico. No entanto, não se sabe ao certo por que motivo a música amplia as capacidades de memória para textos, por exemplo” (WANG, 2010). “Uma hipótese reside no compartilhamento de conteúdo semântico entre linguagem e música. Estudos com potenciais evocados indicam que a compreensão sintática e semântica de música é semelhante à de linguagem, sendo que as duas áreas podem compartilhar o recrutamento de áreas neurais. Além disso, é possível que o resultado positivo de um mesmo texto memorizado com música e sem música resida no fato de que as pessoas gostam de música e, portanto, "ensaiam" muito mais um texto com música do que um texto sem música” (SCHULKIND, 2009).
Curiosidades:
(LEVITIN, 2008) ressalta que a música é tão antiga na vida do homem que é anterior à agricultura e até mesmo a linguagem.
A música e linguagem são processadas de maneira independente no cérebro, havendo predominância do hemisfério direito no processamento musical e do hemisfério esquerdo para processamento de linguagem. Isso pode ser observado em casos de pacientes com amusia, por exemplo, que têm a fala intacta e apresentam problemas em reconhecimento de músicas, segundo o que diz (ZATORRE; BELIN; PENHUME, 2002; PFEUTY; PERETZ, 2010). “Outro exemplo da independência dos sistemas de processamento de fala e de música é o caso de pacientes com afasia, que mantêm a capacidade de cantar e de reconhecer música, embora tenham dificuldades na fala” (ZATORRE; CHEN; PENHUME, 2007).
Referência: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-75992013000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
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